domingo, 21 de junho de 2009

Emtrevista a uma Drag Queem. fonte jornal Regional...

BAT VOLTA.
Uma das mas belas Drag Queem abre o jogo, e comta tudo...

O Regional: Quando você iniciou sua carreira como drag queen?Ferreira: Eu sempre fui coreógrafo e bailarino, fiz balé clássico e passei a fazer coreografias para algumas drags queens da cidade e região. Sempre achei que elas não têm uma drag bailarina. Então decidi mudar de profissão.
O Regional: Você enfrentou muitas dificuldades para se tornar uma drag?Ferreira: Eu era muito forte para ser uma drag. Então, fiz regimes, emagreci 17 quilos e comecei a me dedicar. Fiquei três anos trabalhando para isso e, agora, comecei a trabalhar, a fazer shows.
O Regional: Então é necessário preencher certos requisitos para se transformar em uma drag queen?Ferreira: Sim. Muitos requisitos. Primeiramente ter certeza que quer ser uma drag, isso porque se torna um vício. Do momento em que você se monta uma vez, você se sente feminina, pronto! Virou uma drag mesmo. Você tem de emagrecer, não pode ser gordinha, não pode ser muito forte, tem de ter postura, ser bem feminino e ter muito brilho, muita elegância. Sempre em exagero, tudo exagerada.
O Regional: Como é o seu trabalho como drag queen?Ferreira: Hoje eu sou respeitado. Faço bastante shows, me dedico muito, estou sem tempo até para namorar. Estou com a minha vida simplesmente voltada para o que eu faço. É difícil até eu me relacionar com alguém, às vezes tenho de abrir mão de muitas coisas para continuar o que eu faço.
O Regional: Então hoje você só trabalha como drag?Ferreira: Sim. Estou fazendo um curso de cabeleireiro, mas também está voltado para a minha profissão, porque assim posso cuidar das minhas perucas, que são caras.
O Regional: Para ser uma drag queen tem de gastar muito dinheiro?Ferreira: Olha, eu tenho um ano de sucesso e já gastei R$ 8 mil só em cabelo. O retorno é bom, mas para tê-lo demora pelo menos uns três anos. Porque primeiro você tem de criar um nome, começar a ser conhecido, ter uma postura legal para que as pessoas comecem a te dar um retorno. Parei uma profissão de 13 anos para ser drag queen. Danço balé clássico há 13 anos, dava aulas e parei tudo isso para viver como drag queen.
O Regional: Como é o Paulo quando não está de Dafiny?Ferreira: O Paulo é muito sistemático, não é muito de conversar, é fechado. Já a Dafiny é muito espontânea, adora fazer as pessoas darem risada, conversa com todo mundo e brilha no palco.
O Regional: O visual faz com que tenha essa mudança ou é a obrigação de fazer bem feito?Ferreira: Eu acho que é o visual. O visual faz a gente. No momento em que eu estou me maquiando já não sou mais Paulo. Quando coloco a peruca, então, daí já não tem mais nada do Paulo. A voz muda, jeito de sentar, falar, gestos, olhar.
O Regional: E como é a adaptação de quem não estava acostumada a usar salto alto, vestidos justos?Ferreira: A pessoa tem de ter a vontade de colocar a roupa feminina e os sapatos. Para mim não foi muito difícil porque eu já dançava, usava sapatilhas e ficava na meia ponta, então tirei o salto de letra. Vestido, então, não tive nenhum problema.
O Regional: Você faz shows na região?Ferreira: Sim, em Catanduva não é comum as drags serem contratadas. Fiz apenas uma esses dias, que era uma festa heterossexual. Faço muitos shows em Ribeirão Preto, Barretos, Bebedouro, São José do Rio Preto, São Paulo.
O Regional: Catanduva tem uma mentalidade aberta para esse tipo de trabalho?Ferreira: Não. Fui bem recebido em uma festa heterossexual, mas isso não é comum. Gosto muito de fazer festas para heterossexuais porque eles gostam, acham divertido e já o público GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) temos de ser mais perfeccionistas porque eles observam tudo. Com olhar clínico, de defeito. E aqui tem muito preconceito. Algumas pessoas pensam que drag queen é travesti, então é complicado. Até para contar para minha mãe foi complicado, porque ela achou que eu iria me vestir de mulher todos os dias, colocar seios e fazer programas. O meu trabalho é ser drag, apenas isso.
O Regional: Mas para ficar mais feminino, o que você faz então, já que não tem próteses?Ferreira: Tenho seios postiços, que são muito perfeitos. Parece realmente de verdade. Também temos sílios postiços, que são enormes. Tenho um erguidor de nariz.
O Regional: Como funciona esse aparelho do nariz?Ferreira: é um corretor nasal que no Brasil não é vendido. Ele é menor que uma cirurgia plástica. É um pino que coloco dentro do nariz, como se fosse um piercing. Ninguém vê. Ele força a cartilagem.
O Regional: E não machuca?Ferreira: Na hora que coloca não. Mas depois na hora de tirar você sente que ficou um pouco machucado o nariz. Mas como uso só no final de semana, não tem problema.
O Regional: Existem diferenças entre travestis, transexual e drag queens?Ferreira: drag queen é uma transformista. Durante o dia é um homem normal e à noite se transforma e faz shows. Travestis já é aquele homem que se veste de mulher sempre, que já colocou uma prótese, que toma hormônio e o transexual é aquele que operou e não tem mais o órgão masculino.
O Regional: Existe uma rivalidade entre travestis e drag queen?Ferreira: Sim. Se uma drag está na boate e tem uma travesti, geralmente a drag está mais bonita porque ela exagera mais, então gera sempre um ciúme, coisas do tipo. Já aconteceu até de travestis e drags se agredirem.
O Regional: Cite alguns nomes de drags conhecidas no Brasil.Ferreira: São várias. Ropty Moom, na qual eu me inspirei, tem o Léo Áquila, Nany People, Ivana, Striprela Silvete Montila, cada um em uma linha.
O Regional: Então existem diversos tipos de drags queens?Ferreira: Tem sim. Tem a top drag, a drag caricata, tem drag andrógena.
O Regional: Como seria cada um deles?Ferreira: Drag queen top é o meu perfil. Aquela que faz shows, que dança. A caricata é aquela que é mais para piadas, programas de humor e a drag andrógena é aquela mais halloween, careca, de lentes, mais assustador, mais voltado para festa temática. A maioria já virou drag camaleão. O que pintar de trabalho faz.
O Regional: Você acredita que possa existir transformista que não seja homossexual?Ferreira: Eu acredito que não. Eu nunca vi, eu já conheci uma mulher que era drag queen, tenho uma amiga que é casada e que gosta de fazer shows dessa forma. Mas homens que não são homossexuais, não. Eu nunca vi, mas pode ser que seja possível. Acho difícil porque para fazer isso temos de nascer mais femininos.
O Regional: Quando você revelou ser homossexual para a família?Ferreira: Eu sempre soube que eu era homossexual. Eu tinha oito anos quando já sabia que gostava de meninos. Mas pelo fato da minha família e eu sermos muito religiosos, eu achava que era errado, que é o que dizem, então eu fui me aceitar como sou, com 17 anos. Com a família foi complicado no começo. Até eles entenderem, eu explicar tudo, que opção sexual não é o caráter. As pessoas têm uma imagem muito ruim dos homossexuais, acham que vamos andar nus pelas ruas, vamos nos prostituir, por isso fica mais difícil fazer com que as famílias aceitem.
O Regional: O que você espera para os próximos anos em relação a preconceito, aceitação das pessoas?Ferreira: Espero que Catanduva comece olhar com outros olhos os homossexuais, drags e afins. Mesmo porque, quem faz a pessoa é o caráter. Tivemos um evento da diversidade justamente para mostrar isso. Catanduva também precisa abrir mais as portas para que a gente trabalhe, aqui é muito complicado.

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